Pergunta

Papo explicativo Como você já deve estar percebendo, Bisa Bia e eu somos capazes de ficar horas assim, batendo papo explicativo – como ela gosta de chamar. Ela explica as coisas do tempo dela, eu tenho que dar as explicações do nosso tempo. É que dentro do envelope, dentro da caixa, dentro da gaveta e dentro do armário, ela não tinha visto nada do que andava acontecendo por aqui esses anos todos. Comida, por exemplo, é um espanto. Ela não conhecia congelado, enlatado, desidratado, ensacado, emplasticado, nem dá para lembrar tudo. No domingo em que eu disse que ia comer um cachorro-quente […], foi um deus nos acuda. Foi mesmo: − Deus nos acuda, minha filha! Isso lá é coisa que se coma? Coitadinho do cachorro… O trabalho que deu para explicar, você nem sabe. Para começar, quando eu disse que era um lanche, levamos um tempão até entender que era o que ela chamava de merenda… Sanduíche era outra coisa que ela nem sabia o que era, mas deu para explicar que era salsicha com pão. […] Nada disso tinha no tempo dela. E depois, quando ela começou a me dizer o que costumava ter na merenda ou na sobremesa da casa dela, foi a minha vez de arregalar os olhos e ficar horrorizada, enquanto ela suspirava de saudade: − Baba de moça, Isabel, uma delícia! − Ai que nojo, Bisa, como é que você tinha coragem? Ela continuava: − Papo de anjo, também uma gostosura… − Uma maldade, isso sim. Logo de anjinho… Ainda se fosse papo de galinha… MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Rio de Janeiro, Salamandra, 1985. P. 24-25. *Adaptado: Reforma Ortográfica. Fragmento. Conclui-se desse texto que a Bisa Bia era complicada. desatualizada. nervosa. revoltada.

Respostas

Papo explicativo Como você já deve estar percebendo, Bisa Bia e eu somos capazes de ficar horas assim, batendo papo explicativo – como ela gosta de chamar. Ela explica as coisas do tempo dela, eu tenho que dar as explicações do nosso tempo. É que dentro do envelope, dentro da caixa, dentro da gaveta e dentro do armário, ela não tinha visto nada do que andava acontecendo por aqui esses anos todos. Comida, por exemplo, é um espanto. Ela não conhecia congelado, enlatado, desidratado, ensacado, emplasticado, nem dá para lembrar tudo. No domingo em que eu disse que ia comer um cachorro-quente […], foi um deus nos acuda. Foi mesmo: − Deus nos acuda, minha filha! Isso lá é coisa que se coma? Coitadinho do cachorro… O trabalho que deu para explicar, você nem sabe. Para começar, quando eu disse que era um lanche, levamos um tempão até entender que era o que ela chamava de merenda… Sanduíche era outra coisa que ela nem sabia o que era, mas deu para explicar que era salsicha com pão. […] Nada disso tinha no tempo dela. E depois, quando ela começou a me dizer o que costumava ter na merenda ou na sobremesa da casa dela, foi a minha vez de arregalar os olhos e ficar horrorizada, enquanto ela suspirava de saudade: − Baba de moça, Isabel, uma delícia! − Ai que nojo, Bisa, como é que você tinha coragem? Ela continuava: − Papo de anjo, também uma gostosura… − Uma maldade, isso sim. Logo de anjinho… Ainda se fosse papo de galinha… MACHADO, Ana Maria. Bisa Bia, Bisa Bel. Rio de Janeiro, Salamandra, 1985. P. 24-25. *Adaptado: Reforma Ortográfica. Fragmento. Conclui-se desse texto que a Bisa Bia era complicada. desatualizada. nervosa. revoltada.


Respostas

1

: Letra B

Descrição: basta ler o texto

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2

b claro

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